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DETALHES SOBE A CIRURGIA DE FOBI-CAPELLA

   
       “Cirurgia de redução do estômago”, “Bypass gástrico com derivação e Y-de-Roux”, “gastroplastia redutora com derivação intestinal” são alguns nomes também utilizados para identificar essa modalidade de cirurgia bariátrica que foi aperfeiçoada nos Estados Unidos , na década de 80,pelos médicos Dr.Mathias A. L. Fobi e Dr.Rafael Capella.

    No Brasil a técnica foi difundida já com uma forte referência aos médicos que a idealizaram e por isso a tendência é sempre mencionar “Cirurgia de Fobi-Capella”.

    Como o resultado final desse tratamento depende diretamente das condutas do paciente devemos sempre lembrar que uma preparação adequada com um responsável trabalho de equipe é tão importante quanto o próprio ato operatório. Uma indicação cirúrgica precisa, esclarecimentos e preparação pela nutricionista, orientações e abordagens da psicologia compõem um cenário de sucesso. A continuidade de seguimento no pós-operatório corrige e apóia o paciente em dificuldades que possam aparecer.

   
Trata-se de uma técnica mista ( modifica o estômago e o intestino) com um caráter gastrorestritivo (redução do tamanho do estômago)bastante predominante sobre o pequeno efeito disabsortivo( redução do trânsito intestinal pelos alimentos). O efeito de emagrecimento se deve principalmente ao fato de que o estômago do paciente operado ficará pequeno com capacidade apenas para pequenas porções de alimentos de cada vez ( aproximadamente 30 ml). O desvio de aproximadamente 150 cm que também é feito causa menor efeito no contexto do paciente, pois ainda existirão mais 5 m de intestino intactos para uma boa absorção de nutrientes e calorias.

    É considerada uma cirurgia de grande porte realizada em um paciente complexo e de risco ( todo o obeso mórbido deve ser considerado uma paciente grave). A anestesia geral é praticada por uma anestesista experiente com equipamentos adequados que vão monitorar vários dados do paciente durante a cirurgia ( pressão sangüínea, oxigenação do sangue, CO2, funcionamento cardíaco,etc.). O paciente não tem nenhuma consciência durante o ato cirúrgico e não sente nenhuma dor.
 

Siga no desenho a descrição para melhor entendimento


 

1.       Através de uma incisão na linha do meio do abdômen, acima da cicatriz umbilical, de aproximadamente 20 cm de extensão, passamos a ter a visão do interior da cavidade abdominal.

2.       Inicialmente fazemos um inventário das vísceras para avaliarmos se existe alguma alteração não detectada nos exames pré-operatórios.

3.       A cirurgia consiste em utilizar um grampeador linear cortante que fecha e separa em duas partes uma porção alta e limitada do estômago original formando, dessa forma, um novo estômago pequeno.

4.       Essa pequena bolsa recebe um pequeno anel não ajustável de silicone flexível que é colocado em torno desse novo estômago fazendo uma cintura e dando a ele um aspecto de ampulheta.

5.        Na porção final dessa pequena bolsa gástrica fazemos uma junção (anastomose) com uma parte do intestino fino (jejuno) que foi desviada em aproximadamente 1m e passa a ser chamada alça alimentar do Y-de-Roux.

6.       O grande estômago que agora ficou separado continuará a produzir sucos digestivos e a sua produção de acidez fica bastante diminuída, pois, os alimentos não chegarão mais nesse grande estômago residual.

7.        A passagem dos sucos digestivos prossegue como antes para o duodeno em direção a outra parte do intestino fino (jejuno) para completar a outra parte do Y-de-Roux. As duas alças intestinais são ligadas fechando o pé do Y.

8.       Através de uma sonda passada pelo anestesista em direção ao novo estômago introduzimos uma solução de Azul de Metileno por duas vezes para testarmos se não existe nenhum vazamento nas linhas dos grampeamentos e nas anastomoses.

9.       É feito o fechamento das brechas peritoneais, lavagem e limpeza da cavidade abdominal, revisão completa e só então prossegue o fechamento reforçado da parede abdominal.

10.   Em casos especiais podem ser colocados drenos e sondas de gastrostomia ( sonda dentro do estômago isolado) que deverão ser retirados o mais breve possível após a recuperação do paciente. 
 


 Veja um pequeno vídeo


RESUMINDO:

    O ESTÔMAGO ORIGINAL É DIVIDIDO EM DUAS PORÇÕES. O NOVO ESTÔMAGO SERÁ PEQUENO E RECEBERÁ O ALIMENTO. UM ANEL DE SILICONE “ABRAÇA” O NOVO ESTÔMAGO E CONFERE A ELE UM ASPECTO DE AMPULHETA. O INTESTINO FINO É TAMBÉM DIVIDIDO E SOFRE UM DESVIO (bypass), SENDO LIGADO AO NOVO ESTÔMAGO.

EFEITO PRÁTICO DA CIRURGIA:

    O alimento bem mastigado chega ao novo estômago e o repleta com aproximadamente 30 ml. Nesse momento o paciente experimenta uma sensação de plenitude, de saciedade pela própria distensão das paredes dessa pequena bolsa gástrica. Aos poucos, o alimento vai sendo empurrado através do anel para a alça intestinal alimentar. O bolo alimentar segue para baixo e chega o momento em que os sucos digestivos provenientes do grande estômago isolado, pâncreas e fígado e que são trazidos pela outra alça intestinal se encontram dando início então, ao início da absorção dos nutrientes pelo restante do intestino fino intacto. 
 

O QUE MUDA PARA O PACIENTE OPERADO PELA TÉCINICA DE FOBI-CAPELLA?

    Como essa modalidade é basicamente restritiva o paciente deverá entender que seus hábitos alimentares deverão ser modificados definitivamente.
 

1.       Diversificar os alimentos e seguir as orientações da nutricionista. Os alimentos deverão ser bem selecionados segundo critérios nutricionais e não somente pelas preferências do paciente ou pelo sabor. O volume final de um bom almoço é de aproximadamente 300gr. Se o paciente operado insistir em comer apenas um tipo de alimento ele ficará saciado e não existirá espaço para outras variedades de nutrientes também importantes.

2.       A mastigação deverá ser exemplar. Alimentos sólidos devem ser bem triturados na boca antes de ser deglutidos. Um pedaço grande, seco e fibroso de alimento poderá impactar no anel e acabar provocando vômitos.

3.       Evitar alimentos líquidos e pastosos com muitas calorias. A cirurgia de Fobi-Capella não impede que dietas líquidas passem facilmente pelo anel. A saciedade não é percebida, pois o líquido passa rapidamente para o intestino sem distender as paredes do pequeno estômago. A hidratação dos pacientes fica facilitada mas se produtos como chocolates, doces, mingaus, leite condensado, cervejas, refrigerantes, sorvetes, pudins forem utilizados com freqüência o paciente pode não emagrecer ou até voltar a engordar.

4.       Não beliscar. As refeições principais devem ser privilegiadas. Café da manhã, almoço e jantar bem balanceados são a garantia de um emagrecimento adequado e saudável. Quando se “belisca” as guloseimas não repletam o novo estômago e por isso não causam saciedade. Por esse motivo o paciente beliscador acaba repetindo este ato por várias vezes no dia e quando somamos todas as calorias ingeridas nessas beliscada no decorrer de 24 h acabamos descobrindo que a obesidade poderá voltar. Além de qualidade nutricional inferior, as guloseimas beliscadas tiram o apetite do paciente impedindo que ele faça um almoço ou um jantar adequado.

5.       Muita calma e paciência nas refeições. Comer depressa não mais será possível. Comer devagar, pausando entre uma garfada e outra, mastigando bem e saboreando os alimentos passará a ser um novo hábito. Uma refeição principal deverá demorar aproximadamente 30 minutos e com cerca de 300gr o paciente deverá se sentir saciado.

6.       O emagrecimento é gradativo, dura em média 12 meses, quando então se estabiliza em um patamar aproximadamente 40% menor em média. O resultado depende das condutas do paciente. Mudanças corporais, de hábitos, psicológicas, sociais e até na esfera familiar poderão ocorrer de forma variável assim como a obesidade também interfere de forma variável na vida de pessoas diferentes com histórias diferentes.

DÚVIDAS MAIS COMUNS QUANTO À CIRURGIA NA TÉCNICA DE FOBI-CAPELLA:

·          Tempo médio de duração de 3 h de cirurgia.

·          Anestesia é geral

·          O material dos grampos é de titânio e permanece inerte no paciente, sem reações.

·          O anel é de silicone e também não provoca “regeições”. Raros casos de deslizamentos e migrações podem ocorrer (aproximadamente 3 %)

·          O anel não se alarga com o tempo.

·          O pequeno estômago não volta a ficar grande com o tempo.

·          O novo estômago não pode ser confeccionado um pouquinho maior justamente para se evitar uma futura dilatação e o retorno da obesidade.

·          Não se retira nenhum órgão nessa cirurgia.

·          A cirurgia é potencialmente reversível.

·          O grande estômago residual isolado passa a ter certa proteção e não apresenta úlceras ou tumores além das expectativas.

·          O estômago isolado não atrofia.

·          O estômago isolado não mais será avaliado por endoscopia.

·          Complicações e até óbitos podem ocorrer apesar de todos os preparativos e de todas as precauções tomadas.

·          O emagrecimento é gradativo e se estabiliza em aproximadamente 12 meses.

·          A perda de peso média é de aproximadamente 40% do peso inicial do paciente.

·          O paciente não emagrece indefinidamente. O equilíbrio no peso inicial é conseguido com as orientações da nutricionista.

·          A maioria dos pacientes não persiste com vômitos. Os vômitos só serão freqüentes se o paciente insistir em erros antigos. Comer depressa e sem mastigar.

·          Um comprimido polivitamínico diário deve ser tomado para completar a nutrição dos pacientes operados.

·          Exames laboratoriais periódicos ( a cada 3 meses no início) devem ser realizados.

·          O RETORNO PERIÓDICO AOS MEMBROS DA EQUIPE INTERDISCIPLINAR É A GARANTIA DE SUCESSO DO PROCEDIMENTO.

OPÇÃO CIRÚRGICA DA EQUIPE INTERDISCIPLINAR DE DIVINÓPOLIS

    Dentre as diversas opções cirúrgicas estamos convencidos que a técnica de Fobi-Capella é uma boa opção de longo prazo. Essa modalidade associa as vantagens de uma redução no volume alimentar sem causar as graves repercussões disabsortivas ocorridas em outras técnicas. O emagrecimento é significativo mesmo em pacientes superobesos. O alívio das doenças associadas à obesidade, a diminuição dos riscos e da mortalidade além da significativa melhoria na qualidade de vida cristalizam nossa certeza do importante relação risco/benefício. A durabilidade dos resultados é consistente em todo o mundo. As estatísticas nos diversos países se aproximam e dão reforço a essa cirurgia. As mudanças de hábitos são desejáveis e uma equipe interdisciplinar bem montada consegue dar o suporte necessário para os pacientes começarem uma vida nova.