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INFORMAÇÕES E DICAS DE NUTRIÇÃO

   
 

A IMPORTÂNCIA DA NUTRIÇÃO NO ACOMPANHAMENTO DA CIRURGIA BARIÁTRICA

 A obesidade grave é uma condição crônica difícil de ser tratada. A cirurgia é uma opção para pessoas severamente obesas, entretanto, como qualquer outro tratamento para a obesidade, o sucesso dos resultados depende principalmente de sua motivação e compromisso.

É preciso pensar em como se manter saudável. Para isso e para que a cirurgia funcione bem, você precisa realizar escolhas alimentares apropriadas, manter um estilo de vida ativo e também mudar alguns comportamentos sociais.

 Como é o processo digestivo normal e o que vai mudar com sua cirurgia?

Quando mastigamos os alimentos, eles movem-se do esôfago para o estômago, onde um ácido forte continua o processo digestivo. O estômago pode reservar grandes quantidades de alimentos de cada vez. Quando o conteúdo do estômago move-se para o duodeno, que é a primeira parte do intestino delgado, os sucos biliares e pancreáticos aceleram a digestão. No jejuno e no íleo, as outras duas partes do intestino delgado, ocorre a absorção de quase todos os nutrientes. As partículas alimentares que não são digeridas no intestino delgado são armazenadas no intestino grosso e, então, eliminadas através das fezes.

As cirurgias para tratamento da obesidade podem modificar o processo normal de digestão e absorção dos nutrientes. É muito importante que você compreenda que a diminuição do tamanho do seu estômago afeta a capacidade de ingerir grandes volumes de alimentos. Essa é, provavelmente, a maior mudança que você irá sentir.

Após a cirurgia bariátrica, a nutrição tem como objetivo principal a melhoria da qualidade de vida através da perda de peso, em que a quantidade e o tipo de alimentos a serem consumidos devem ser limitados. O objetivo do acompanhamento nutricional é buscar o bem estar físico e emocional, através da seleção dos alimentos que contenham os nutrientes mais saudáveis e que estejam adequados às necessidades de cada indivíduo para que a rápida perda de peso não leve à desnutrição. De maneira geral, a principal mudança na alimentação após a cirurgia é uma diminuição importante na quantidade de alimentos consumidos diariamente devido à redução do estômago. Porém, outros cuidados com a alimentação são fundamentais. Pode-se dividir o cuidado com a alimentação em algumas fases.

Existe um plano gradual de introdução de alimentos. Inicialmente você consegue comer no máximo duas colheres de cada vez, sem sentir desconforto e ânsias. Depois, quando progredir para a ingestão de alimentos mais sólidos, as quantidades toleradas podem ser maiores. A alimentação evolui gradativamente de acordo com a tolerância de cada um. Essa evolução da dieta ocorre normalmente em quatro estágios.

No primeiro dia pós-operatório, usualmente inicia-se a alimentação com a ingestão de pequenos volumes de água, evoluindo para dieta líquida durante aproximadamente 15 a 20 dias. Pelo fato dessa dieta ser muito restritiva e incompleta em nutrientes, e a perda de peso ocorrer de maneira muito rápida, nesse momento são introduzidos os suplementos de vitaminas e minerais.

Após aproximadamente 15 a 30 dias da cirurgia, você estará, então, avançando para a dieta pastosa. Essa normalmente é recomendada durante aproximadamente duas semanas. A dieta pastosa é muito importante para permitir que seu estômago cicatrize. Também, após a cirurgia, a abertura que esvazia seu estômago pode estar um pouco inchada e se os alimentos não são pastosos, eles podem causar bloqueio e fazê-lo vomitar.

Então, depois de aproximadamente 45 dias da cirurgia, a sua dieta evolui para branda, ou seja, alimentos normais, porém todos cozidos.

Finalmente, em torno de dois meses após a cirurgia, os alimentos normais em consistência estarão sendo introduzidos, em pequenos volumes e de acordo com sua tolerância.

É importante ressaltar que essas evoluções deverão ser acompanhadas por seu Nutricionista para preservar sua saúde.

COMO OCORRE A PERDA DE PESO

 A perda de peso é muito intensa principalmente durante as duas primeiras semanas após a cirurgia. O ritmo acelerado de emagrecimento continua a ser observado até o terceiro mês e, a partir de então, passa a ser mais lento. Este é um processo natural de adaptação fisiológica que faz com que o organismo passe a gastar menos energia diariamente para evitar que a perda de peso rápida e permanente leve à desnutrição e aos conseqüentes riscos à saúde como a queda da resistência a infecções, desmineralização óssea, perda muscular, hipovitaminoses, dentre outros.

Alimentando-se apenas nos horários recomendados, o volume alimentar será bastante reduzido e a perda de peso ocorrerá na média de 10% no primeiro mês, em relação ao peso pré-cirúrgico. A partir daí a perda é mais lenta, sendo em torno de 0,5/2,5kg por semana durante alguns meses. Ao longo de um ano a perda de peso é de aproximadamente 40%, habitualmente estabilizando-se e mantendo-se neste patamar. Após algum tempo depois da cirurgia, a falha em continuar perdendo peso pode acontecer devido à não aderência às orientações alimentares. Se com o passar do tempo você se adapta e abusa de alimentos líquidos ou pastosos muito ricos em calorias, como sorvetes, chocolates, biscoitos, leite condensado, você pode ganhar ou deixar de perder peso. Isso pode, também, trazer transtornos, como a dilatação de seu pequeno estômago e ruptura da linha de grampeamento.

A melhor forma de melhorar a perda de peso é a atividade física regular. O exercício faz com que o organismo gaste mais energia, o que ajuda a perder peso, além de trazer uma sensação de bem estar e relaxamento. Entretanto, deve-se procurar orientação profissional para a avaliação do momento adequado para iniciar o exercício e também para a escolha do melhor tipo de atividade a ser realizada.

Sugestões para ajudá-lo com a perda de peso:

  •       Siga uma dieta equilibrada, mesmo que pobre em calorias. É importante, gradativamente, incluir todos os grupos alimentares em sua dieta, mesmo que seja em pequenas quantidades.
     

  •       Limite o uso de alimentos gordurosos, como: manteiga, margarina, óleos, maionese, molhos, carnes gordas, frituras, requeijão, queijos amarelos e outros.
     

  •       Cuidado com os doces. Os alimentos que contêm muito açúcar (geléias, mel, xarope de milho, leite condensado, refrigerantes doces concentrados como marmelada, goiabada e de figo, compota de frutas, chocolates e outros), pois são ricos em calorias. Use adoçante artificial no lugar do açúcar de mesa (a ser definido pela nutricionista) e prefira sucos, refrigerantes, chicletes e outros produtos dietéticos.
     

  •       Escolha lanches nutritivos como parte do plano alimentar. Mesmo os sucos de frutas 100% puros, como o da laranja, são muito calóricos. Controle a ingestão destes, não excedendo dois copos ao dia.
     

  •       Dê uma chance aos novos sabores e maneiras de se alimentar. Algumas coisas levam tempo para se acostumar. Tente ir adiante, mas devagar, sem retornar aos velhos hábitos.
     

  •       Faça exercícios regularmente.
     

  •       Realize as visitas freqüentes à nutricionista para avaliar se sua perda de peso está adequada.ALGUNS ASPECTOS IMPORTANTES

     O CONSUMO DE LÍQUIDOS.

    A rápida perda de peso leva a um aumento transitório dos níveis de ácido úrico na circulação. Quando a hidratação não é suficiente poderá haver formação de litíase renal (pedra nos rins). Por este motivo, o consumo de líquidos deve ser monitorado para evitar que a urina fique muito concentrada. O consumo de líquidos deve ser constante, independente da sede.

    A ESCOLHA DE ALIMENTOS RICOS EM FERRO.

    Dentre os alimentos mais fibrosos e de aceitação mais tardia está a carne vermelha. Enquanto ela não for introduzida na alimentação ou bem tolerada, o nutricionista deverá orientar o paciente sobre outras fontes de ferro presentes na alimentação.

     

    A INTOLERÂNCIA AO AÇÚCAR.

                As cirurgias de redução de estômago que desviam o intestino, como a que é realizada em Divinópolis, podem causar Síndrome de Dumping. Este problema pode acontecer devido a passagem muito rápida dos conteúdos do estômago, principalmente alimentos ricos em açúcar, para o intestino. Os sintomas incluem náuseas, fraqueza, suor intenso, desmaios e, ocasionalmente, diarréias após comer. No caso de apresentar algum destes sintomas, evite: geléias, mel, xarope de milho, leite condensado, refrigerante, doces concentrados como marmelada, goiabada e doce de figo, compota de frutas, chocolates, achocolatados, sorvetes e outros.

    A NECESSIDADE DO USO DE COMPLEMENTOS DE MINERAIS E DE VITAMINAS.

    Toda vez que as calorias da dieta são inferiores a 1250 Kcal ao dia é necessário complementar vitaminas e minerais. No caso da cirurgia bariátrica, o valor calórico da alimentação se aproxima de 650 kcal nas primeiras semanas e continua inferior a 1250 kcal no mínimo até o sexto mês após o inicio do tratamento. Principalmente durante esse período, a complementação é indispensável, sendo recomendada pelo seu médico e pela nutricionista.

    MASTIGAÇÃO

    Você deve mastigar, mastigar e mastigar ainda mais!

    Se engolir os alimentos sem mastigar bem, você pode bloquear a pequena saída de seu estômago. Isso pode causar dor, desconforto, náuseas e vômitos. Seu estômago pode até mesmo dilatar e romper a linha grampeada. Lembre-se sempre:
  •       Leve de 30 a 45 minutos no mínimo para realizar cada refeição;
     

  •       Não “pule” refeições. Quando não faz uma refeição, você fica com muita fome na próxima. Com isso você perde o controle e acaba comendo muito rápido e se esquece de mastigar bem os alimentos.
     
  •       Mastigue cada bocada de 20 a 30 vezes, até que os alimentos formem uma papa em sua boca.
     

  •       Use talheres e pratos pequenos. , como colher de chá ou sobremesa. Isso ajuda a comer quantidades menores de alimentos de cada vez e diminui a velocidade de sua refeição.
     
  •       Corte a comida em pedaços pequenos. Isso ajuda na mastigação e torna a refeição mais lenta.
  •       Explique aos outros porque você deve comer lentamente. Dessa forma, eles não irão apressá-lo.

    NÁUSEAS E VÔMITOS

    Um problema comum ao ingerir um pouco a mais do que a capacidade de seu estômago são as náuseas e os vômitos. Eles são causados pelo estômago pequeno, que pode ser sobrecarregado por pedaços de alimentos que não foram bem mastigados.

    Sempre preste atenção aos sinais de saciedade de seu corpo. Você pode sentir pressão ou estufamento no centro de seu abdômen ou pode sentir nauseado. Qualquer que seja o sinal PARE DE COMER! Uma bocada a mais pode causar dor e desconforto. Mesmo que você não sinta rapidamente os sinais de saciedade, você deve medir o tamanho de suas porções. Após alguns meses de cirurgia, muitas pessoas conseguem ingerir aproximadamente ½ copo ou 120ml de alimentos em 30 a 45 minutos. No caso de sentir desconforto, náuseas ou vômitos, tente identificar a causa, fazendo as seguintes perguntas:

    •       Comeu muito rápido ou não mastigou bem os alimentos?
       
    •       Comeu demais?
       

    •       Ingeriu líquido junto com as refeições ou logo após?
       
    •       Comeu alimentos difíceis de digerir, como carnes duras ou pão fresco?

      Essa avaliação irá ajudá-lo a fazer mudanças necessárias para a próxima refeição. No caso de apresentar vômitos durante o dia inteiro, pode ser que a saída de seu estômago esteja bloqueada. Nesse caso, evite alimentos sólidos e tome somente líquidos claros, como sucos, caldos, gelatinas e chás. Gradualmente, adicione alimentos pastosos e depois os normais. Se persistirem os sintomas entre em contato com seu médico e sua nutricionista.

Concluindo, o seu objetivo deve ser alcançar e manter um peso estável e mais saudável. O foco é uma alimentação equilibrada e atividade física regular. Para tal, é essencial que você reconheça que o sucesso da cirurgia é possível somente com a sua completa cooperação e compromisso com as mudanças necessárias, que acontecerão com o apoio da equipe multidisciplinar. Estas mudanças devem permanecer por toda sua vida!