Qualquer pessoa que esteja avaliando a possibilidade de passar por uma cirurgia programada deve pensar com tranqüilidade sobre a relação entre o risco e o benéfício do procedimento.
Passar por uma cirurgia bariátrica não é uma situação simples. O paciente deve ponderar a respeito da real indicação, das alternativas de tratamentos clínicos, dos riscos da operação, dos riscos de continuar obeso mórbido, da sua capacidade de adaptação com a cirurgia proposta e da disciplina de um seguimento de longo prazo com um novo estilo de vida e com restrições que antes não existiam.
No desejo de se ver livre da grave situação da obesidade muitos pacientes saltam em direção da cirurgia sem a devida preparação. Alguns simplesmente não escutam os avisos fornecidos pela equipe de que complicações podem acontecer na cirurgia e mesmo anos após. Não consideram as advertências de que os resultados positivos e negativos devem ser esperados. Não se lembram de que os seus próprios atos poderão prejudicar e derrubar por terra todas as suas expectativas.
Uma conversa detalhada com o seu cirurgião e seu endocrinologista poderão trazer informações preciosas para colaborar com a sua decisão. Amadureça as idéias e não faça nada precipitadamente.
Vamos colocar alguns pontos que devem ficar claros a todos os pretendentes dessa modalidade cirúrgica:
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O obeso mórbido já é um paciente grave desde o início. Mesmo que aparente estar “saudável”, “forte”, a obesidade impõe uma sobrecarga orgânica severa além de diversas doenças metabólicas e funcionais. Muitos obesos não operados morrem de causas diversas diariamente, às vezes ainda jovens. Estima-se que aproximadamente 80.000 mortes por ano só no Brasil estão relacionadas diretamente com a obesidade.
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Quaisquer cirurgias realizadas em um obeso mórbido apresentam um risco aumentado pela própria condição da doença de base, suas comorbidades e de suas sobrecargas orgânicas.
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As estatísticas mundiais, em vários trabalhos científicos, reafirmam e comprovam que apesar de não serem freqüentes as complicações de uma cirurgia bariátrica existem e são de solução mais trabalhosa.
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Doenças acometem os pacientes já operados e podem não ter nenhuma relação com a cirurgia bariátrica propriamente dita. A cirurgia não imuniza os pacientes das doenças que ocorrem na população em geral.
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O período de obesidade que alguns pacientes já viveram não é apagado. Muitas seqüelas do excesso de peso ficam marcadas para sempre nesses pacientes. Embora várias doenças apresentem melhora ou até cura com o emagrecimento não podemos esperar que o coração e as coronárias estejam totalmente normais após anos de obesidade mórbida. Uma pessoa que já foi obesa mórbida, mesmo que pós-operada de vários anos e agora magra, também terá seus riscos de sofrer um infarto do miocárdio. Um joelho que suportou uma grande massa corpórea ficará para sempre seqüelado, mesmo que, após a cirurgia, o paciente esteja magro.
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Cada serviço e equipe cirúrgica têm índices variados e resultados diferentes de resultados negativos. O perfil dos pacientes operados, o suporte de especialistas, a preparação antes da cirurgia são alguns fatores decisivos. Pra qualquer cirurgião que trabalha com os graves pacientes bariátricos vale a frase: “Só existe uma forma de não ter complicações em cirurgia bariátrica: não operar nunca”.
1. IMEDIATAS
· RELACIONADAS COM A ANESTESIA
DIFICULDADES DE ENTUBAÇÃO, VENTILAÇÃO DIFÍCL, ALERGIAS E REAÇÕES A MEDICAMENTOS, ARRITIMIAS, ETC.
· RELACIONADAS COM O ATO OPERATÓRIO
SANGRAMENTOS, PERFURAÇÃO DE VÍSCERAS, VAZAMENTOS, ETC
2. PÓS-OPERATÓRIAS RECENTES
FÍSTULAS, HÉRNIAS, SANGRAMENTOS, EMBOLIAS, TROMBOSES DESCOMPENSAÇÕES, ATELECTASIAS, PNEUMONIAS, INFECÇÕES, ETC
3. TARDIAS
OBSTRUÇÕES INTESTINAIS, ADERÊNCIAS, MIGRAÇÃO DO ANEL, DESNUTRIÇÃO, RETORNO DA OBESIDADE, HÉRNIAS, ANEMIA, ETC.
Em diversos trabalhos mundiais( em médias estatísticas) as complicações mais freqüentes são consideradas complicações menores e não colocam a vida do paciente em risco: seroma ( líquido que se acumula na gordura junto a cicatriz cirúrgica-20%), hérnia incisional( 15%), deiscência de pele(10%) são alguns dos problemas mais observados e são facilmente resolvidos.
Complicações graves como fístulas ( vazamento interno nas vísceras grampeadas-2%) embolias( coágulos no pulmão0,5%) e hemorragias( 2%) são mais raras. Reoperações podem ser necessárias a qualquer momento.
O risco de morte existe e está em aproximadamente 1%.
VALE AQUI LEMBRAR QUE EMBORA OS RISCOS DE COMPLICAÇÕES DAS CIRURGIAS EXISTAM ESSAS SÃO MUITO MENORES DO QUE OS RISCOS QUE A PRÓPRIA OBESIDADE MÓRBIDA IMPÕE DIARIAMENTE AOS PACIENTES.
PERMANECER NA CONDIÇÃO DE OBESIDADE MÓRBIDA É ESTAR DISPOSTO A ENFRENTAR AS GRAVES CONSEQÜÊNCIAS E RISCOS DE DIVERSAS DOENÇAS QUE PASSAM A SE INSTALAR COM O TEMPO: DIABETES, HIPERTENÇÃO ARTERIAL, INFARTOS DO CORAÇÃO, LESÕES ARTICULARES, EMBOLIAS ENTRE OUTRAS SEM MENCIONAR OS DANOS PSICOLÓGICOS, SOCIAIS E ECONÔMICOS QUE SE ESTABELECEM GRADATIVAMENTE NO OBESO.
VÁRIOS ESTUDOS CONFIRMAM QUE O PACIENTE COM OBESIDADE SEVERA TENDE A VIVER ATÉ 20 % MENOS COM ÍNDICES DE MORTALIDADE QUE CHEGAM A SER ATÉ 12 VEZES MAIOR QUANDO COMPARADOS À POPULAÇÃO COM O PESO NORMAL.